Porque a Web 2.0 não engrena no Brasil?

Postado por Osvaldo Santana

Hoje, durante a minha leitura matinal, eu esbarrei num post que me levou a outro que me levou a outro.

Um resumo muito rápido do conteúdo desses três posts seria: “Porque o Brasil não desenvolve sites Web 2.0? Porque as faculdades não preparam os estudantes.”

Mas eu gostaria de acrescentar algumas coisas a mais nessa equação: “Qualificação”, “Custo” e “Investimento”.

Eu nunca montei uma empresa de tecnologia no Vale do Silício então não tenho uma referência de como as coisas por lá funcionam em detalhes, mas estou no processo de abertura de empresa aqui no Brasil e tenho um projeto “Web” pra ser desenvolvido.

O meu projeto Web 2.0 não tem nada relacionado à mídia (TV, vídeo, som, música) mas para fins de ilustração vou fingir que a minha idéia seria de montar um site de mídia chamado SeuTubo!. Então vamos à história.

Sou um “mico”-empresário brasileiro típico: o que falta de dinheiro sobra de coragem (insanidade?). E vou atrás do que é necessário para desenvolver meu projeto. Até o momento eu só tenho um Plano de Negócios (Business Plan) que venho desenvolvendo a meses e que julgo estar bom.

Vou adiar ao máximo a abertura formal da empresa porque sei que isso gera muito trabalho que eu ainda não preciso ter. Então parto para desenvolver a aplicação. Eu não sou um técnico/programador/sysadmin perfeito mas, também para fins de ilustração, vou ser um super-homem-do-código.

Como as soluções de vídeo na Web já estão razoavelmente ‘comoditizadas’ eu começo a pescar os componentes da solução aqui e ali pra montar meu site… Uma pitada de Python, outra de PHP, uns MySQLs pra alegrar os amigos que trabalham na Sun, um pouquinho de Java pra indexar os dados, … estamos quase lá… falta só o componente central: o player do lado cliente que é feito em Flash.

Ummm… Google: “Free Flash vídeo player download”… nada… busca de outro jeito trocando “Free” por “Open”… nada também… mais procura… acho algumas coisas bem imaturas e que não estão em pleno desenvolvimento… é, não vale a pena arriscar o meu futuro negócio por essa economia. Hora de colocar a mão no bolso (vazio).

Eu não tenho dinheiro pra comprar nada. Então vamos à procura de um investidor… Onde? Cadê os investidores de risco no Brasil? Tem até um portal pra eles feito *pelo governo* mas a coisa não é tão simples assim (e levaria tempo que eu já não tenho tanto).

Bom… vendo meu carro e compro esses componentes de software. Que sorte! Eu tinha um carro pra me desfazer! Meu filho vai pra escola à pé… já tá na hora dele começar a fazer atividades físicas mesmo…

A tal ferramenta sai barato: $1000 (preço hipotético também). Viva o Brasil! O dólar agora tá uma merreca! E ainda sobrou uma grana da venda do carro…

Termino de desenvolver o meu software. Hora de buscar um lugar pra hospedá-lo. Vocês já viram os custos de infraestrutura de rede no Brasil? Como que minha empresa sobreviveria até ter lucro gastando uma fortuna com as Telecoms? Que negócio Web prospera num país que cobra os preços obcenos do Brasil por um link de 1MB?

E minha aplicação de vídeo? Vocês tem uma noção da quantidade de banda que consome? E se o site fizer sucesso… que bom, não? Não! Porque eu iria à falência antes que esse sucesso vire receita porque as belas-Telecoms iriam me estorquir.

Mas… Aí eu vejo que dá pra hospedar o meu negócio em um país cujas empresas e empresários pensam nas pessoas como eu: EUA. Contrato um serviço de “Cloud Computing” onde eu pago preços baixos sob demanda pelo uso de banda. E cruzo os dedos pro dólar não voltar a subir :)

Legal… meu site tá funcionando lá… já dá até pra abrir ele pro público. Mas espere! Agora que eu percebi isso… o visual do meu site está uma tosqueira só! Preciso ‘dar um tapa’ no visual dele e me certificar que ele está usável, afinal, usabilidade e visual são requisitos da Web 2.0, certo?

Vou atrás de empresas de design e usabilidade… Os caras sabem que eles são poucos e vão te cobrar fortunas pela ajuda. Eles estão certos. Lei básica do mercado: muita demanda + pouca oferta = preço alto.

Tento por outra via: achar um cara de design e/ou usabilidade (provavelmente recém-formado) para ser meu sócio (lembre-se que não tenho grana pra pagar salário, logo, todos os meus ‘funcionários’ precisam ser sócios). Eu tento, tento, tento e… lanço o site feio e pouco usável mesmo. Não acho alguém com esse perfil pra me ajudar (e isso já não é ilustração, é real :D).

Legal… o site está em funcionamento e mesmo feio/torto está fazendo sucesso. Já tem até um dinheirinho entrando! Massa! (em dólar… tenho até dó do meu futuro contador) Agora não dá mais pra esperar. Tenho que formalizar a empresa.

Voltando à vida real: de 20 a 30 dias entre o início do processo e a impressão das notas fiscais. Isso porque moro no Paraná (um dos estados onde a abertura de empresas acontece rapidamente).

Agora troquem o “mico”-empresário brasileiro da história acima pelo Chad Hurley e pelo Steve Chen e vejam se foi difícil assim montar o Youtube?

Será que eles morreram nos primeiros meses de funcionamento porque as fornecedoras de links deles os estorquiram? Será que eles tiveram (ou teriam) trabalho pra encontrar um Angel Investor no Vale do Silício para financiá-los no início? Será que ficou caro e/ou foi difícil achar um especialista em design/usabilidade pra fazer o site deles? E formalizar a empresa deles? Levou um mês?

Então é isso. Muito mais do que o problema da péssima formação dos estudantes do Brasil a dificuldade para se montar um site “Web 2.0″ passa por burocracia governamental, dificuldade de financiamento, infra-estrutura cara, entraves alfandegários/tecnológicos (ex. importar equipamentos não lançados no Brasil) e falta de visão empreendedora do brasileiro (brasileiro prefere ser funcionário).

Nesse cenário cheio de “pragas” é difícil de vingar uma lavoura. E quem resolve se aventurar nesse cenário, como eu, é tratado por louco pelos companheiros. E com razão.


$oftware Livr€

Postado por Osvaldo Santana

Pra não dar muito trabalho pra escrever esse artigo não vou ficar fazendo links para a discussão que se iniciou com um post sobre o modelos de negócios com SL. Para quem quiser mais detalhes sigam os links do br-linux.org.

O Software Livre apareceu na minha vida a partir do ano 2000 quando fui contratado pela Conectiva S/A (Mandriva) para integrar a equipe de P&D e trabalhar no desenvolvimento do Conectiva Linux. Poderia dizer que eu já mexia com isso antes mas estaria exagerando já que o máximo que eu fazia era disponibilizar os códigos fonte de meus softwares (feitos em Clipper Summer’87 :)) para meus clientes. São só 8 anos mas tempo o suficiente para entender e ver muitas coisas acontecerem.

De 2000 pra cá passei por muitas empreitadas e passei por lugares onde recebi apelido de ‘xiita’ (por causo do entusiasmo pelo SL) e sou tratado como ‘traidor do movimento’ quando digo que sonho em ter um Apple rodando OS X.

Fazendo uma retrospectiva por todos esses 8 anos eu posso perceber uma certa coerência entre meus ideais e minhas atitudes. Evidentemente algumas idéias mudaram e outras atitudes também mas a essência permaneceu a mesma: Eu gosto de software bom.

Ser livre ou proprietário é só um dos critérios (importantes) que uso para avaliar a qualidade de um software. Se eu gosto de um software proprietário e acho que o valor cobrado por ele é correto eu certamente pagarei. Já comprei licenças de software para meu antigo Palm, licença para o Nero Burning ROM, anti-vírus NOD32, e até mesmo a do Windows OEM que veio com meu Notebook (nesse caso eu não acho o software bom, mas ele era necessário para rodar o Nero :))… mas jamais comprarei uma licença do Microsoft Office (detalhe: sou fanático por planilhas eletrônicas desde o 1-2-3 e acho o Excel a melhor planilha que existe atualmente).

Eu também tenho alguns softwares piratas rodando na máquina com Windows (principalmente a alternativa ao GIMP :P) e isso é algo que me deixa desconfortável pois sou daqueles radicais que acham que pirataria é contravenção. Prometo adquirir esse software assim que surgir uma promoção para estudante (ele é muito caro mas vale o preço).

O critério do software bom serve para definir minhas escolhas no uso de um software mas faço toda a força do mundo para que os softwares que desenvolvo sejam Livres ou, no mínimo, OpenSource. Mesmo que seja um software desenvolvido no trabalho. Meu histórico de desenvolvimento de sofware livre é pequeno e nenhum deles “emplacou” mas isso não fez com que eu deixasse de acreditar no modelo pois, afinal, eu os desenvolvo principalmente para os meus propósitos (ou para os propósitos da empresa onde trabalho). Se outros acharem útil e quiserem colaborar ótimo mas caso contrário está bom também.

É muito difícil ganhar dinheiro desenvolvendo e vendendo software livre e quando esse dinheiro começa a entrar nunca estará na mesma proporção da entrada financeira de um software proprietário. Mas ao tentar ganhar a vida “vendendo” software o autor precisará muito mais do que código para se sustentar. Ele precisará de muita criatividade, muita paciência, um bom planejamento, uma pitada de sorte e uma visão realista do mundo.

Idéias não faltam para que isso dê certo e muitas empresas espalhadas pelo mundo já comprovam isso, mas no Brasil a coisa ainda é um pouco mais complexa pois uma série de fatores como educação deficiente, preguiça, ‘malandragem/jeitinho’, ‘lei de Gerson’ e muito discurso dificultam o desenvolvimento de um modelo baseado no SL aqui no Brasil.

O próprio autor do manifesto citado no artigo do br-linux.org era um dos que passavam horas escrevendo seus “e-mails-discursos” ao invés de trabalhar no desenvolvimento de seu software. O software que ele desenvolveu também poderia ter sido feito em forma de colaboração para outros projetos (plugin pro Webmin?) mas não foi. Como um desenvolvedor pode querer colaboração para seu projeto se nem ele foi capaz de (ou se interessou em) colaborar com outro projeto?

Com relação à contribuição e à comunidade brasileira de SL: esqueça. A comunidade brasileira de desenvolvedores de SL é quase uma obra de ficção. O brasileiro quer “parasitar” o software livre. Ele quer usar o software “de graça” e não fazê-lo ou melhorá-lo. É evidentemente temos grandes excessões mas elas servem apenas para confirmar a regra.

Os brasileiros acham que usar SL e ficar repetindo as palavras do Stallman bastam, mas esquecem que software é feito de código e que sem ele nada vai existir ou melhorar.

Portanto os meus conselhos para quem quiser se envolver com o desenvolvimento de SL são:

  1. colabore com algo que já exista!
  2. se não existir ou não for possível colaborar: faça!
  3. faça mais!
  4. escreva, documente e desenvolva em inglês. Não use a língua portuguesa para não limitar os seus colaboradores a 0.
  5. lance o software (divulgue-o em todos os lugares possíveis).
  6. use-o.
  7. não espere nada em troca.
  8. não espere nada em troca mesmo (principalmente de brasileiros).

Acredite, você será recompensado.

Update: Eu reli o meu texto depois de publicá-lo e percebi que, apesar de ter citado a existência de desenvolvedores brasileiros que colaboram com SL, eu não dei a ênfase necessária (e até peguei um pouco pesado demais). Pois bem, existem desenvolvedores brasileiros de SL e a quantidade deles vêm aumentando recentemente mas navegando por sites especializados como o ohloh.net ou o sf.net é possível ver que ainda falta muito pra gente ser notado no meio das comunidades de SL.


“Tô quase desistindo…”

Postado por Osvaldo Santana

Vou pegar emprestado o bordão do meu colega de trabalho para expressar a minha atual insatisfação com o país onde moro.

Será um post mal-humorado com trechos onde todos irão concordar e trechos onde quase todos irão discordar. Tem até mesmo trechos ofensivos.

Adoro o país onde moro ao ponto de já ter recusado boas ofertas de trabalho fora dele simplesmente porque teria que deixar o único lugar do mundo onde sou um cidadão de “primeira classe”. Em qualquer outro país do mundo eu serei um cidadão de classe inferior pois não importa o bem que eu tenha feito para tal país eu nunca serei “filho legítimo” daquele lugar. País é igual a pai ou mãe: você não escolhe e tem que aceitá-lo para todo o sempre.

Mas o “jeitinho” brasileiro já está começando a me irritar. Os valores do brasileiro também estão sendo subvertidos ao extremo. A leniência, passividade, tranquilidade e preguiça brasileira passaram a ser qualidades em todas as situações. Somos atacados, humilhados, destratados, violentados e respondemos sempre com um “tudo bem” como se fizéssemos parte de um anúncio televisivo de automóveis.

Vou ilustrar com alguns fatos recentes tudo de ruim que o brasileiro tem.

Falta de educação

“Lula é vaiado durante a festa de abertura dos jogos Panamericanos do Rio de Janeiro”. Essa frase (manchete?) é uma aberração brasileira.

Lula é o *Presidente da República* do nosso país. Chefe supremo da nossa república. Bem ou mal foi eleito democraticamente pelos brasileiros. Pelos brasileiros burros e pelos inteligentes, pelos pobres e pelos ricos, pelos sem-terra e pelos latifundiários.

Como Presidente, Lula, deixou de ser o ex-sindicalista, ex-presidente-do-PT, ex-torneiro-mecânico, burro-que-não-sabe-falar, etc e passou a ser um símbolo do nosso país. Podia ser o FHC, o Sarney, o Collor, não importa porque o presidente de um país é o presidente de um país.

Em um evento nacional, dentro de nossa casa, onde se deve lavar a roupa suja, seria normal e até mesmo adequado vaiá-lo para demonstrar descontentamento, mas durante a apresentação de uma festa que está sendo acompanhada por toda a américa não é educado atacar um símbolo do país com vaias.

Eu não gosto quando vejo um casal brigando na minha frente em local público porque é constrangedor pra mim e deveria ser para o casal. Eles deveriam estar brigando dentro de sua casa onde somente as partes interessadas estarão presentes.

A vaia dos cariocas teve um efeito contrário pra mim. Fiquei com “dó” do presidente. Não foi “dó” do Lula, foi do presidente. Porque é triste ver um símbolo do meu país que se esforçou (junto com governadores, prefeitos, cariocas, …) para que aquela festa acontecesse ser vaiado na abertura dela.

Aliás, o carioca anda com o “vaiador” ligado e mostrando até mesmo para outros brasileiros como eles são “educados”: vaiavam insistentemente os atletas dos EUA durante as apresentações da ginástica artística. Fosse o atleta norte-americano tão mal-educado quanto o carioca ia quebrar todos os dentes dos infelizes que vaiavam usando algumas de suas medalhas de ouro como arma. São atletas como os brasileiros, que ‘ralam’ como os brasileiros, e que estão honestamente participando de uma disputa esportiva. Não vejo onde uma vaia possa se encaixar aí.

Mas voltando à frase…

Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro… A gente não precisava disso no Brasil. Sinto muito mas os R$X bilhões gastos praquilo lá sair do papel poderiam ter sido gastos lá no Complexo de favelas do Alemão.

Construindo umas escolas grandonas daquelas com Cinema, Teatro, Piscina, Quadras Poliesportivas, Salas de Computador, Bibliotecas, Professores bem remunerados, etc. Construindo delegacias de polícia lá no meio da favela para que a segurança daquelas pessoas fosse oferecida pelo estado e não pelo crime organizado.

Poderiam urbanizar outro bom número de favelas e disponibilizar água, esgoto, luz elétrica, etc para outros tantos moradores. Daria até para construir alguns centros de treinamento de ginástica, natação, etc. para transformar o Brasil numa futura potência esportiva.

Alguma coisa boa dos jogos vai ficar? Provavelmente sim, mas poderia ficar mais, não acham?

Corrupção

A corrupção desse país nasce do povo que é representado pelos seus governantes. Eu já não aguento mais ver na imprensa os chavões: “o brasileiro é honesto, mas os políticos”, ou “alguns poucos policiais corruptos sujam a imagem de toda a corporação”, ou “existem políticos honestos, é a minoria que é corrupta”. Me poupem dessa ladainha mentirosa porque o brasileiro é um povo corrupto. Os honestos são a exceção necessária para comprovar a regra e nem mesmo eu escapo impunemente em um julgamento.

O brasileiro é aquele que paga “caixinha” para o policial numa blitz de trânsito para escapar de uma multa maior. O policial é corrompido mas a outra ponta da “negociata” também foi corrupta. É a minoria?

Responda honestamente (se é que é possível um brasileiro responder assim): Você tem um carro que custou caro. É parado numa blitz e o guarda diz que vai guinchá-lo por causa do documento vencido a 1 dia. Mas antes ele te pergunta: “você poderia dar uma ‘ajudinha de custo’ aí?”. Você responderia “Pode guinchar o carro, eu estou errado”?

Mas o pior mesmo é que todo brasileiro justifica sua desonestidade com a desonestidade do vizinho! Preste atenção: todo cara que agiu de má fé tem uma justificativa para tal atitude. São coisas como “os políticos roubam, por que eu não?”, “se eu não fizer outros farão”, “o cara ia guinchar meu carro porque o documento estava vencido *só* a 1 dia!”, “meu salário é uma mixaria, por isso preciso da caixinha”, …

Se os políticos roubam é porque você não o elegeu corretamente ou não fiscalizou o trabalho dele direito. Se os outros vão ser desonestos se você não for é problema deles, não? Aliás, o correto seria denunciá-los por fazerem algo ilegal. Se o teu documento está vencido ha 1 dia ou 1 ano não muda o fato dele estar vencido. Ninguém é obrigado a ficar em um emprego onde se ganha pouco. Todos são livres pra procurar um emprego que pague melhor.

Se fizerem uma pesquisa por aqui perguntando se “corruptor” e “corrompido” devem ser presos em casos de corrupção eu acho que mandariamos o “corrompido” pra cadeia.

Tem-se a ilusão de que o “corruptor” é apenas uma vítma da situação. É sempre o “coitado do trabalhador que precisa do carro com documento vencido pra trabalhar”, o “coitado do comerciante que pagou uma caixinha pra Anvisa não fechar seu restaurante sujo e nojento pois é o ’seu ganha pão’”, o “coitado que comprou um toca-fitas roubado porque roubaram o dele”, …

Achar culpado é coisa de incompetente

Não tem santo vivo no Brasil. Entre os mortos parece que só o “Frei Galvão” e nem assim eu colocaria minha mão no fogo pela sua honestidade.

Essa bagunça toda que virou o sistema aéreo brasileiro não é culpa apenas de um (o governo). Tem culpa de *todo mundo* nesse problema.

A “cabecinha” fraca dos brasileiros já encontrou os culpados porque achar culpado é fácil. Tão fácil que no mundo do trabalho os especialistas em achar culpados são conhecidos como “incompetentes”.

A “imprença” brasileira, retrato de seu povo, é extremamente “incompetente”. Acha culpados até onde não tem crime. Algumas revistas até inventam o crime para encaixar em seus culpados. É a imprensa que o brasileiro merece.

Os culpados pelo problema aéreo estão lá. Quer que eu cite o nome? Vamos lá: Anac (governo), Infraero (governo), Aeronáutica (governo), TAM (empresa privada), Gol (empresa privada), Dona do jatinho Legacy (empresa privada), …

Ok. Agora que temos os culpados, povo brasileiro, o que faremos para resolver o problema?

Brasileiros gritam em coro: — Não sabemos!

É isso mesmo! O brasileiro não sabe resolver problemas. Porque? Porque é incompetente.

Eu não sei resolver mesmo. A única coisa que sei sobre aeronáutica é embarcar e desembarcar de um vôo. Mas será que não tem um único brasileiro que saiba resolver esses problemas? Não tem.

Conclusão

Espero terminar a minha faculdade e aperfeiçoar o meu inglês e dar o fora daqui. Se encontrar problemas por lá (e vou encontrar) ao menos serão problemas novos porque os daqui já estão velhos, podres e sem o menor sinal de que serão resolvidos.

E ao escolher o destino irei mirar em terras onde os corruptos e incompetentes sejam minoria.


Desempregado ou despreparado?

Postado por Osvaldo Santana

Nessa semana a empresa onde trabalho me pediu uma ajuda para conseguir contratar um programador Python com uma certa urgência. Como eu sou o moderador da lista Python Brasil optei por envia um e-mail ligeiramente diferente para a lista de discussão avisando da oportunidade. O e-mail terminava assim:

 - Desenvolver pra Linux (necessário)
 - Desenvolver em Python (necessário)
 - Saber inglês (necessário)
 - Se divertir programando (necessário)
 - Desenvolver em C/C++ (plus)
 - Desenvolver Gtk+/GNOME (combo plus)
 - Ter estudado ciências ou engenharia da computação (mega-combo plus)
 - Conhecer bem plataforma ARM (qual é o teu telefone?)

A partir daí eu fui recebendo e-mails e mais e-mails com curriculums de candidatos à vaga e pude ver que os erros básicos que já vi em outras oportunidades continuam sendo cometidos.

Pessoal, as coisas que eu vou dizer aqui são sérias e a forma com que vou dizê-las pode ser um tanto contundente. Mas entendam que é para o bem de quem pretende conseguir um trabalho divertido e interessante. Algumas pessoas irão se reconhecer no que eu vou dizer abaixo mas para elas eu quero dizer que não é nada pessoal são apenas conselhos de alguém que sempre esteve em bons lugares para trabalhar.

Também não é necessário enviar e-mails pra mim se desculpando pelas gafes nem enviando versões corrigidas de seus curriculums já enviados. Eu já encaminhei todos os curriculums que recebi para o RH da empresa e não vou mandar versões mais novas.

Na verdade quem ficar me mandando versões corrigidas a partir de agora eu irei solicitar pro RH colocar uma observação desabonadora no CV pois não seria justo com que fez certo logo de primeira.

Não lamente, corra atrás

Uma quantidade considerável dos e-mails que recebi dessa vez e de outras vezes são de lamentação. Algo do tipo “Pôxa, que pena que eu não programo em Python muito bem :(”.

Vamos ser inteligentes. A oferta diz: “Desenvolver em Python (necessário)”. Que parte de “necessário” não foi possível entender do texto? A gente quer um candidato à vaga não uma pessoa precisando de afago.

No lugar de se lamentar por “não saber Python” você deveria é correr atrás de aprender. Nunca gastei um único tostão pra aprender Python, logo, não ter grana não serve como desculpa. Quando aprendi Python trabalhava em dois empregos e ainda tentava fazer uma faculdade. Isso também elimina a falta de tempo como desculpa.

Mesmo que você tenha uma boa desculpa pra não ter aprendido Python você vai ter que pensar sobre o que você realmente quer da sua vida: a vaga ou alimentar sua desculpa.

Se você não tem um bom projeto em Python para trabalhar fique sabendo que tem milhares de projetos de SL esperando pela sua ajuda. Escolha um que te faça feliz e toca o barco.

O salário será aquele que você irá merecer

Um outro tanto de e-mails que recebi tinham a pergunta: “Qual é o salário?” e na oferta estava escrito: “Salário acima da média local”.

Não se pergunta o salário sem você ter sido sequer entrevistado. O salário é a última coisa que se fala com o candidato. Se tá dizendo que é acima da média local significa que é um salário mais alto do que o que você conseguiria por aqui, entende ou quer que eu desenhe?

Sei que isso é utópico e que as “coisas práticas” são importantes, mas você já pensou que a empresa está te contratando para ajudá-la e não para ter mais um valor saindo mensalmente do seu caixa? Já pensou que você será remunerado na mesma proporção da sua contribuição à empresa?

Se você contribui pouco para a empresa X você vai ganhar pouco. Se a empresa Y diz que paga acima da média local significa que você vai ganhar mais que a empresa X mesmo fazendo pouco.

Quando eu tenho vontade de trabalhar numa empresa eu penso na quantidade de coisas legais que eu posso fazer nessa empresa e não em quanto eu vou ganhar. Só no final do processo é que me interesso pela remuneração.

Ofereça-se apenas para vagas que você consegue trabalhar

Esse é o pior tipo. É a famosa metralhadora giratória de curriculums. Parece que o cara tem um filtro no cliente de e-mail que pega e-mails com as palavras “vaga” ou “emprego” e já dá um reply automático com seu curriculum. Quando eu era o dono da empresa e ia contratar eu não só descartava esses curriculums como ainda marcava o nome do indivíduo na lista de “nunca contratar”.

A vaga é para “desenvolvedor” e não para “administrador de redes”! Se você não consegue ler e interpretar um texto com uma oferta de emprego é bem provável que você também não consiga realizar a tarefa para a qual você seria contratado.

Se você quer “mudar de ares” comece a estudar sobre “desenvolvimento” e mande esse tipo de informação no seu curriculum e não que você sabe instalar “postfix”, “manutenção de hardware” ou coisas do tipo.

Se você não sabe se consegue, imagine o contratante

Se você me manda um e-mail dizendo “Eu programo em Python mas não sei se dou conta de fazer o que vocês fazem” eu (no caso a empresa contratante) devo pensar o que?

Se nem você sabe se dá conta imagina eu :) Mesmo que eu te conheça pessoalmente e a gente tenha conversado sobre o trabalho é você quem tem que bater no peito e bradar: “Eu consigo!”.

Então economize o seu tempo e o meu. Se você não tem certeza da sua capacidade não envie e-mail nenhum. Se você sabe que consegue mande direto o seu curriculum e se candidate à vaga.

Analise a vaga em profundidade

Antes de mandar o seu belo curriculum pra uma vaga procure saber mais sobre a empresa. Personalize o seu curriculum de forma a deixá-lo mais atraente para a tal vaga. Seja inteligente e perspicaz ao enviá-la (mas por favor polpe-se ao trabalho de inventar moda).

Eu tenho umas 4 versões do meu curriculum (e uma versão em inglês para cada uma das 4) e sempre pego ele e edito antes de enviá-lo.

Vamos à uma breve análise dos erros que vi:

  • Página 33 de 150: Não rola, né? :) Se não dá pra resumir as coisas que você fez simplesmente elimine alguns dos empregos que você teve e não acrescentam nada ao seu CV. Por exemplo: eu trabalhei 3 anos em uma agência de publicidade como “publicitário” (ênfase nas aspas). Não preciso colocar isso pra uma vaga de desenvolvedor.
  • Olha a foto! Buuu!: Na mensagem tá pedindo “boa aparência”? Se não tá pedindo significa que tua aparência não importa, certo? Se tua aparência não importa a foto não serve pra nada. Pior: e se você for feio? Num eventual “empate” para a vaga a sua feiura pode te eliminar, mesmo em situações ela não seria importante.
  • Mexe com Linux? Pega o .doc: Erro primário esse. Se a vaga fosse pra trabalhar na Microsoft você mandaria seu curriculum no formato .odt? Porque você manda um .doc para trabalhar numa empresa que mexe com Linux? Ok, o OpenOffice “abre” esse tipo de arquivo mas o arquivo .doc mostra habilidade em que tipo de ambiente de trabalho? Na dúvida mande um .pdf, um .txt ou, como eu faço, um .html.

Eu também uso esse conselho para dizer aos candidatos: inverta o papel de quem escolhe quem. Invista no seu aprimoramento muito mais do que o exigido pelo “mercado” e apresente-se numa situação onde a empresa quer contratá-lo.

Eu já vi donos e gerentes de empresa fazendo leilão para levar um candidato. Se você é bom o suficiente para estar nessa situação você concordará comigo que é uma muito mais confortável.

Mas seja honesto ao ser “leiloado”. Não blefe. Eu já vi ótimos programadores que se queimaram em ambas as empresas porque descobriram o blefe. Acabou sem nenhum emprego e com a imagem arranhada em um mercado onde todo mundo se conhece.

Você trabalha no emprego perfeito, me aconselhe profissionalmente

Pessoal, eu não sou o Max Gehringer. O máximo que eu posso dar de dica é para o tipo de trabalho que eu faço. As dicas do Max são legais para casos mais genéricos mas também não precisa levá-lo à sério demais porque senão você acaba virando mais um daqueles candidatos “robôs” cheio de respostas prontas e pré-fabricadas.

Como teve mais de uma pessoa que me perguntou sobre “investir no aprendizado de Python” eu vou falar um pouco sobre esse caso específico:

Invista o seu tempo em algo que te deixa feliz. Se você gosta de programar em Python invista em Python. Se gosta de programar mas não importa a linguagem programe em várias delas.

Se você não gosta de programar? Vai fazer o que você gosta de fazer. Sai fora dessa área. Evite perder o seu tempo e o de outras pessoas que gostam de trabalhar com isso.

E tem outra coisa: usar o trabalho nessa área como meio para ganhar dinheiro para no futuro atuar em outra área menos rentável. Isso é péssimo. Atue na área “menos rentável” e faça-a se tornar rentável.

Pega o meu curriculum praquela vaga do mês passado

Um certo dia eu ofereci uma vaga em uma empresa onde trabalhava que precisava ser preenchida com urgência e recebemos curriculums para essa vaga por mais de 3 meses.

Se você vê que a oferta foi feita à mais de uma semana desiste.

Se tiver uma gota de esperança de que a vaga não foi preenchida ou tem “inside informations” de que a vaga não foi preenchida tudo bem. Mas se não for esse o caso fica a lição pra você ficar mais atento.


Ser juiz é…

Postado por Osvaldo Santana

Senhor juiz... Pare agora!

…proteger os seus colegas de profissão.

…achar que nepotismo nos olhos dos outros é refresco.

…julgar baseado no valor dos honorários dos advogados das partes.

…considerar correto “matar” o mensageiro ao invés do autor da mensagem.

…se sentir descontente em ter os maiores salários do funcionalismo público. (casos das revisões salariais de juízes e funcionários do judiciário)

…se sentir Deus supremo do alto de seus altares.


Armagedom na Internet

Postado por Osvaldo Santana

Orkut is over!Não sei se as pessoas notaram, mas está acontecendo uma coisa engraçada na “Internet Brasileira” neste exato instante: o Orkut está fora do ar há mais de 18 horas. :)

Boatos estão se alastrando por todos os lugares e uma grande depressão está atingindo os brasileiros, afinal de contas, se o Orkut sair do a Internet vai perder 50% de sua utilidade para o brasileiro (os outros 50% ficam para o MSN).

Blogueiros estão colocando as palavras chaves “Orkut, Fora do ar” em seus sites para ganhar acessos e um dinheirinho extra1, brincalhões de plantão já estão criando os seus falsos-emails-oficiais-do-google dizendo que é o fim do Orkut, os conspiracionistas estão alertando os amigos que o Orkut está instalando um sistema que permite à Polícia Federal recolher os dados dos usuários deste serviço, etc, etc.

O mais engraçado disso tudo é que meu pai se inscreveu no Orkut essa semana. Vou até fazer uma brincadeira com ele: “Pô pai, o senhor é tão ‘mal elemento’ que bastou criar uma conta no Orkut pros caras fecharem o site!” :)

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Computador para Todos

Postado por Osvaldo Santana

Tenho acompanhado algumas notícias sobre o projeto Computador para Todos do governo federal e os comentários que aparecem nos blogs onde essas notícias circulam me fazem perguntar uma coisa: o que a comunidade de SL esperava desse programa?

Uma análise científica isenta (perdoem a redundância) precisa analisar o fenômeno de migração Linux->”Windows Pirata” que está acontecendo com as máquinas do programa Computador para Todos, mas eu desconfio que no final dessa análise chegaremos à uma conclusão óbvia: as empresas e o público consumidor brasileiro não estava preparado para o Linux.

Sim, as empresas não estavam preparadas porque elas não sabem como dar suporte ao Linux, como tornar os seus vendedores aptos a venderem um produto ligeiramente diferente do que eles estavam acostumados a vender, e porque os empresários brasileiros são muito bons para reclamar de imposto e juro alto (são altos mesmos) mas péssimos para criar e levar adiante modelos de negócio diferentes daqueles que eles usam desde a época de Getúlio Vargas.

O público também não estava preparado para o Linux. Os professores nas escolas pedem os trabalhos escolares em formato “.doc” para seus alunos. Os órgão públicos (principalmente o judiciário) publicam os documentos sobre licitações públicas, editais e coisas do tipo em formatos proprietários (.doc também) e os sites das instituições públicas não funcionam com navegadores que não sejam o Internet Explorer.

Como que a comunidade de software livre quer que as pessoas “normais”, aquelas que não são entusiastas de tecnologia, usem um computador com Linux? Essas pessoas vão ficar com Linux em seus computadores só porque ele é “politicamente correto”? Isso é bobagem.

E como as coisas não aconteceram da forma que a “comunidade” esperava eles trataram logo de eleger os culpados (Microsoft, Abes e Governo Federal) para que ela possa se eximir de qualquer responsabilidade pelo que aconteceu.

A comunidade erra quando ataca a Microsoft, a Abes e até mesmo o Governo Federal (podem atacar, mas usem os motivos certos). A Microsoft não tem culpa de nada. Ela está simplesmente jogando o jogo. Se a comunidade SL não fez o seu trabalho corretamente a culpa não é dela e à ela cabe apenas tentar fazer a sua parte com correção e honestidade. Se ela não for honesta a nossa função é apontar com provas a desonestidade dela.

A Abes também não é vilã. Ela é uma associação de empresas que produzem e vendem software proprietário. Ela detectou que o programa Computador para Todos estava servindo para aumentar os índices de pirataria e fez uma pesquisa para provar isso (eu tenho uma forte sensação de que eles falam a verdade nesse trabalho). Culpá-la por fazer isso é o mesmo que culpar a OAB por defender os interesses dos advogados.

Querer culpar o Governo Federal pelo programa Computador para Todos é correto? Nunca. O projeto está permitindo que pessoas comprem computadores e isso é bacana. O projeto também sugere que esses computadores venham com Linux e isso também é bacana. Mas num país democrático é o máximo que um projeto governamental pode e deve fazer. A partir deste ponto a tarefa de popularizar o Linux cabe às empresas que montam e vendem esses computadores e à comunidade de SL que dará suporte à esses usuários* e pressionará as empresas, escolas, órgãos públicos para que utilizem os padrões abertos que permitem que Linux e Windows convivam harmoniosamente.

Um “causo” real: Um sobrinho meu pediu um computador para seus pais e graças ao Computador para Todos ele iria ganhar o tal computador. Na loja (Ponto Frio em Curitiba) o vendedor explicou pra ele que o computador com Linux era mais barato mas ele recomendava a versão com Windows Starter Edition porque o Linux queimava os computadores. Graças à isso o meu sobrinho optou por não seguir os meus conselhos e adquiriu a máquina com o tal Windows. O Windows então começou a pedir códigos e mais códigos de ativação, ligações para 0800 da Microsoft, nota-fiscal pra cá, nota-fiscal pra lá e, finalmente, um WindowsXP pirata foi instalado em cima do tal Windows Starter Edition.

Isso também daria uma pesquisa interessante: Quantas pessoas tiraram o Windows Starter Edition da máquina pra instalar um WindowsXP pirata? Estaria a Microsoft colaborando com a pirataria?

* esse suporte não precisa necessariamente ser feito no formato de SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente). Esse suporte pode ser feito com desenvolvimento de novos softwares, melhoria de alguns já existentes, tradução de documentação, tutoriais, treinamentos gratuitos para grupos de usuários, etc.


Planos para 2007

Postado por Osvaldo Santana

Correndo o risco de transformar esse blog em um “blog bobinho” vou colocar aqui os meus planos para 2007. Algo como uma lista de metas a serem atingidas até o final de 2007.

Vou colocar essas coisas aqui para que eu me cobre pelos resultados e os leitores interessados em alguma das coisas listadas aqui me cobrem durante o ano.

  • Publicarei o meu livro sobre Python.
  • O sistema de import do CPython vai ser limpo, organizado e eficiente.
  • O titletrack será um software do GNOME. :)
  • O gomarket (sistema para pesquisa de preços em supermercados que rodará em celulares S60) vai me fazer economizar muito dinheiro no supermercado.
  • As pessoas falarão tanto de Django e Turbogears quanto falam de Ruby on Rails.
  • A Fundação Python Brasil sairá do papel.
  • O site da Python Brasil terá cara nova mesmo rodando o MoinMoin.
  • Minha proposal para a PyCon será aceita e eu poderei apresentá-la em ‘bom inglês’ em 2008.
  • A tal “Web 2.0″ vai inchar igual à velha bolha mas não explodirá antes de me deixar rico.
  • As patentes (de software e hardware) serão consideradas imorais em todo o planeta.
  • Mais blogs com assuntos interessantes irão nascer e muitos ‘diários de adolescentes deprimidos’ irão sumir.
  • Conseguir pagar o imposto sobre aparelhos importados quando eles forem para melhorar o meu trabalho.
  • Que o meu filhinho entenda que eu preciso de algumas horas por dia para usar o computador ou para ler um livro.
  • Que a minha esposa também entenda isso.
  • Que eu consiga desenvolver algum projeto de eletrônica.

Autores Falsos de Textos Falso

Postado por Osvaldo Santana

Recebi um e-mail dessas correntes de uma amiga e respondi à ela alertando para o fato e aproveitando pra emitir um pouco das minhas opiniões sobre política e eleições.

Não quero convencer ninguém a votar em ninguém. Também não quero saber de discussões fervorosas sobre política nesse blog então, excepcionalmente para este post, irei desligar a opção de comentários.

Segue o conteúdo do e-mail:

Oi Amiga,

Esse texto não é do Arnaldo Jabor. Já dá pra perceber pelo estilo e pela falta
de responsabilidade de chamar o Presidente da República (note as letras
maiúsculas) de "retardado".

Tem gente que gosta do Lula e tem gente que não gosta do Lula, mas
respeitá-lo é uma obrigação de todo mundo, afinal, ele é o atual Presidente
e teve uma votação de 66% na primeira eleição e caminha para outra
eleição onde ele vai chegar próximo desses 66%. Se são votos de pessoas
desinformadas não foi culpa dele, afinal, foi a primeira vez que ele governou
o país

Além do autor desse texto ofender o Presidente da República ele ainda fala
que eu tenho "problemas mentais", afinal, eu votaria no Lula se meu Título
de Eleitor tivesse sido transferido aqui pra Pernambuco.

Eu não tenho problemas mentais, não sou analfabeto (digo até que escrevo
melhor que esse falso-arnaldo-jabor abaixo) e faço parte da classe Média
brasileira. Mas a classe Média que eu participo é aquela que entende que é
possível abrir mão de algumas coisas materiais para ajudar aqueles que
precisam.

Mesmo que essas pessoas gastem esse dinheiro pra assistir um jogo do
"mengão" e tomar cerveja eu não quero que minha consciência pese ao
saber que essas pessoas antes de poderem torcer para o mengão e tomar
uma cervejinha (como eu faço hoje) costumavam morrer por causa da fome.

Também não podemos nos esquecer que se existe uma parcela dos
beneficiados dos programas sociais que "tomam cerveja" existe uma
outra parcela presumivelmente muito maior que tem colocado seus filhos
na escola e comprado comida, caderno e lápis pra eles com esse dinheiro.

Eu sou um "classe média" do sudeste que por acaso vim trabalhar no
nordeste e pude perceber que as "diferenças sociais" desse país por aqui
são muito maiores do que as diferenças nosul/sudeste
do país onde morei.

Aqui eu vi a babá do meu filho chorar e dizer “que nunca havia ganhado
tanto dinheiro na vida dela” depois que a registrei com 1 salário mínimo.
Imaginem 1 salário mínimo é ultrajante pra mim e um ’salarião’ para ela e
só foi possível eu registrá-la porque o Lula criou um programa de
restituição do INSS recolhido para ela em meu Imposto de Renda.

Os 4 netos da minha babá recebem dinheiro dos programas do governo.
São todos meninos espertos, frequentando a escola e bem alimentados que
brincam junto com meu filho sempre que se encontram.

É nesse mundo ‘igual’ que eu gostaria de ver meu filho crescer.

Valeu,
Osvaldo

PS. Os meninos estão na escola também porque os programas do governo
obrigam a isso. É obrigação dos pais manter os filhos na escola
para receberem o benefício, diferente do que a candidatura PSDB alega.

On 10/25/06, Amiga Minha wrote:
> Um texto de Arnaldo Jabor - PERFEITO E PESADO!
>
> Me revolto ao ver que pessoas esclarecidas tem a ousadia de apoiar a
> pessoa mais retardada deste país: LULA.
>
> Só uma pessoa que padece de problemas mentais para nunca ter ciência
> do que se passe ao seu redor….ou seja, vive aérea.
>
> E tem mais, voto sim no Alckmin, que seja ele ladrão. Voto pq não recebo
> cesta básica, não tenho bolsa família, bolsa escola, auxílio gás, não
> participo do fome zero, pelo contrário, faço parte da classe que fica
> FORNECENDO dinheiro pra esse ser maldito que teve a infelicidade de
> nascer neste país, ficar bancando parte da população que está super
> satisfeita com os auxílios governamentais e se contenda ter grana no
> final de semana pra beber cerveja e ver os jogos do Flamengo.
>
> Pobre de mim, alma atormentada que luta pra ter algo e é massacrada pela
> ignorância da massa brasileira.
>
> Pobre de mim que tenho que engolir o maldito barbudo, pq no Nordeste e
> Norte do país, não há desenvolvimento cultural e informações suficientes
> para esclarecer a real conjuntura vivida.
>
> Pobre de mim que tenho vergonha de morar em um país que elege Paulo
> Maluf e os ladrões do mensalão e, completam o circo com Clodovil!!!
>
> É vergonhoso ser eleitor neste país!
>
> A VERDADE ESTÁ NA CARA, MAS NÃO SE IMPÕE
>
> ARNALDO JABOR

Software Livre: você contribui com código?

Postado por Osvaldo Santana

Discurso padrão: serei um pouco contundente em alguns trechos deste artigo. Farei algumas generalizações para facilitar mas, acredite, alguns brasileiros simplesmente não se encaixam no público alvo deste artigo.

Desde antes do Linux surgir ou da idéia de Software Livre ser conhecida entre as pessoas aqui no Brasil eu já era defensor deste modelo. Quando eu desenvolvia meus sistemas em Clipper para os meus clientes tratava logo de deixar o código fonte com eles e já deixava claro pra eles que se eles preferissem entregar a manutenção para outro desenvolvedor eles estariam livres para fazê-lo.

Ok, essas liberdades que eu dava para meus clientes não chegavam nem perto das reais liberdades que os softwares licenciados pela GPL, por exemplo, oferecem hoje. Mas as minhas intenções eram as mesmas.

Desde que entrei de cabeça neste universo livre percebi que todos esses softwares que existem hoje foram ao menos iniciados a partir de esforços voluntários de uma comunidade de desenvolvedores, artistas, documentadores, etc.

Esses voluntários estão espalhados por todos os lugares do mundo inclusive no Brasil. E é sobre a participação brasileira que gostaria de comentar.

Atendendo à um pedido de um colega de trabalho comecei a fazer uma pequena pesquisa informal e não-científica sobre a participação de brasileiros no desenvolvimento de software livre e fiquei muito feliz em ver que esses brasileiros contribuem com vários projetos. Obviamente ainda é uma fração praticamente irrisória de contribuições se compararmos com países da europa, por exemplo, mas já é alguma coisa.

Essa pequena pesquisa também serviria para coletar alguns nomes de profissionais que fizeram alguma colaboração com código para algum desses projetos para buscar alguns talentos para vir trabalhar comigo na mesma empresa onde trabalho.

Aí veio a decepção. Infiltrando mais à fundo nas colaborações desses brasileiros foi possível notar que a contribuição nossa com código para esses projetos é tão pequena que faz qualquer um ficar decepcionado.

É claro que contribuir com documentação, traduções, arte, divulgação e uso é importante para esses projetos. Mas e o código? Software Livre não se cria sozinho! Você não liga um computador e o código pula na tela. Não é tão simples assim.

Sempre que eu falo que precisamos colaborar com código para os projetos já escuto logo um: “ah… mas eu traduzi o sistema foobar para o português!” ou “eu fiz um tutorial de instalação da distro ble”. Legal. Parabéns! Mas e aquele bug aberto no bugtrack do sistema foobar? E aquela funcionalidade que as pessoas estão implorando (inclusive você)?

Vamos esperar até o dia que o bug se feche sozinho? Ou que o desenvolvedor principal do projeto use o tempo dele para melhorar a minha vida?

Chegou a hora de parar de nos desculpar por não contribuir com código para os projetos simplesmente porque “eu traduzi as mensagens de erro do kernel!” e começar a anexar patches e fazer commits nesses projetos.

Eu me incluo entre esses “colaboradores de meia pataca”. Procurei pelo meu nome no Code Search do Google e achei um horror o resultado. Afinal já fazem mais de 6 anos que lido com Software Livre e meu nome apareceu em apenas algumas dezenas de ocorrências e, pior, em menos de uma dezena delas a minha contribuição tinha sido com código.

Então eu gostaria de lançar o desafio aqui: vamos todos repetir uma busca por nossos nomes no Google Search daqui a algum tempo e vamos ao menos dobrar o número de ocorrências deles por lá? Mas só vale contar contribuições com código!

Propaganda: Se você quer contribuir com código e quer começar por uma linguagem fácil e poderosa eu já recomendo à você que dê uma olhada na linguagem Python :)


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