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7 de junho de 2007

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Desempregado ou despreparado?

Nessa semana a empresa onde trabalho me pediu uma ajuda para conseguir contratar um programador Python com uma certa urgência. Como eu sou o moderador da lista Python Brasil optei por envia um e-mail ligeiramente diferente para a lista de discussão avisando da oportunidade. O e-mail terminava assim:

 - Desenvolver pra Linux (necessário)
 - Desenvolver em Python (necessário)
 - Saber inglês (necessário)
 - Se divertir programando (necessário)
 - Desenvolver em C/C++ (plus)
 - Desenvolver Gtk+/GNOME (combo plus)
 - Ter estudado ciências ou engenharia da computação (mega-combo plus)
 - Conhecer bem plataforma ARM (qual é o teu telefone?)

A partir daí eu fui recebendo e-mails e mais e-mails com curriculums de candidatos à vaga e pude ver que os erros básicos que já vi em outras oportunidades continuam sendo cometidos.

Pessoal, as coisas que eu vou dizer aqui são sérias e a forma com que vou dizê-las pode ser um tanto contundente. Mas entendam que é para o bem de quem pretende conseguir um trabalho divertido e interessante. Algumas pessoas irão se reconhecer no que eu vou dizer abaixo mas para elas eu quero dizer que não é nada pessoal são apenas conselhos de alguém que sempre esteve em bons lugares para trabalhar.

Também não é necessário enviar e-mails pra mim se desculpando pelas gafes nem enviando versões corrigidas de seus curriculums já enviados. Eu já encaminhei todos os curriculums que recebi para o RH da empresa e não vou mandar versões mais novas.

Na verdade quem ficar me mandando versões corrigidas a partir de agora eu irei solicitar pro RH colocar uma observação desabonadora no CV pois não seria justo com que fez certo logo de primeira.

Não lamente, corra atrás

Uma quantidade considerável dos e-mails que recebi dessa vez e de outras vezes são de lamentação. Algo do tipo “Pôxa, que pena que eu não programo em Python muito bem :(“.

Vamos ser inteligentes. A oferta diz: “Desenvolver em Python (necessário)”. Que parte de “necessário” não foi possível entender do texto? A gente quer um candidato à vaga não uma pessoa precisando de afago.

No lugar de se lamentar por “não saber Python” você deveria é correr atrás de aprender. Nunca gastei um único tostão pra aprender Python, logo, não ter grana não serve como desculpa. Quando aprendi Python trabalhava em dois empregos e ainda tentava fazer uma faculdade. Isso também elimina a falta de tempo como desculpa.

Mesmo que você tenha uma boa desculpa pra não ter aprendido Python você vai ter que pensar sobre o que você realmente quer da sua vida: a vaga ou alimentar sua desculpa.

Se você não tem um bom projeto em Python para trabalhar fique sabendo que tem milhares de projetos de SL esperando pela sua ajuda. Escolha um que te faça feliz e toca o barco.

O salário será aquele que você irá merecer

Um outro tanto de e-mails que recebi tinham a pergunta: “Qual é o salário?” e na oferta estava escrito: “Salário acima da média local”.

Não se pergunta o salário sem você ter sido sequer entrevistado. O salário é a última coisa que se fala com o candidato. Se tá dizendo que é acima da média local significa que é um salário mais alto do que o que você conseguiria por aqui, entende ou quer que eu desenhe?

Sei que isso é utópico e que as “coisas práticas” são importantes, mas você já pensou que a empresa está te contratando para ajudá-la e não para ter mais um valor saindo mensalmente do seu caixa? Já pensou que você será remunerado na mesma proporção da sua contribuição à empresa?

Se você contribui pouco para a empresa X você vai ganhar pouco. Se a empresa Y diz que paga acima da média local significa que você vai ganhar mais que a empresa X mesmo fazendo pouco.

Quando eu tenho vontade de trabalhar numa empresa eu penso na quantidade de coisas legais que eu posso fazer nessa empresa e não em quanto eu vou ganhar. Só no final do processo é que me interesso pela remuneração.

Ofereça-se apenas para vagas que você consegue trabalhar

Esse é o pior tipo. É a famosa metralhadora giratória de curriculums. Parece que o cara tem um filtro no cliente de e-mail que pega e-mails com as palavras “vaga” ou “emprego” e já dá um reply automático com seu curriculum. Quando eu era o dono da empresa e ia contratar eu não só descartava esses curriculums como ainda marcava o nome do indivíduo na lista de “nunca contratar”.

A vaga é para “desenvolvedor” e não para “administrador de redes”! Se você não consegue ler e interpretar um texto com uma oferta de emprego é bem provável que você também não consiga realizar a tarefa para a qual você seria contratado.

Se você quer “mudar de ares” comece a estudar sobre “desenvolvimento” e mande esse tipo de informação no seu curriculum e não que você sabe instalar “postfix”, “manutenção de hardware” ou coisas do tipo.

Se você não sabe se consegue, imagine o contratante

Se você me manda um e-mail dizendo “Eu programo em Python mas não sei se dou conta de fazer o que vocês fazem” eu (no caso a empresa contratante) devo pensar o que?

Se nem você sabe se dá conta imagina eu :) Mesmo que eu te conheça pessoalmente e a gente tenha conversado sobre o trabalho é você quem tem que bater no peito e bradar: “Eu consigo!”.

Então economize o seu tempo e o meu. Se você não tem certeza da sua capacidade não envie e-mail nenhum. Se você sabe que consegue mande direto o seu curriculum e se candidate à vaga.

Analise a vaga em profundidade

Antes de mandar o seu belo curriculum pra uma vaga procure saber mais sobre a empresa. Personalize o seu curriculum de forma a deixá-lo mais atraente para a tal vaga. Seja inteligente e perspicaz ao enviá-la (mas por favor polpe-se ao trabalho de inventar moda).

Eu tenho umas 4 versões do meu curriculum (e uma versão em inglês para cada uma das 4) e sempre pego ele e edito antes de enviá-lo.

Vamos à uma breve análise dos erros que vi:

  • Página 33 de 150: Não rola, né? :) Se não dá pra resumir as coisas que você fez simplesmente elimine alguns dos empregos que você teve e não acrescentam nada ao seu CV. Por exemplo: eu trabalhei 3 anos em uma agência de publicidade como “publicitário” (ênfase nas aspas). Não preciso colocar isso pra uma vaga de desenvolvedor.
  • Olha a foto! Buuu!: Na mensagem tá pedindo “boa aparência”? Se não tá pedindo significa que tua aparência não importa, certo? Se tua aparência não importa a foto não serve pra nada. Pior: e se você for feio? Num eventual “empate” para a vaga a sua feiura pode te eliminar, mesmo em situações ela não seria importante.
  • Mexe com Linux? Pega o .doc: Erro primário esse. Se a vaga fosse pra trabalhar na Microsoft você mandaria seu curriculum no formato .odt? Porque você manda um .doc para trabalhar numa empresa que mexe com Linux? Ok, o OpenOffice “abre” esse tipo de arquivo mas o arquivo .doc mostra habilidade em que tipo de ambiente de trabalho? Na dúvida mande um .pdf, um .txt ou, como eu faço, um .html.

Eu também uso esse conselho para dizer aos candidatos: inverta o papel de quem escolhe quem. Invista no seu aprimoramento muito mais do que o exigido pelo “mercado” e apresente-se numa situação onde a empresa quer contratá-lo.

Eu já vi donos e gerentes de empresa fazendo leilão para levar um candidato. Se você é bom o suficiente para estar nessa situação você concordará comigo que é uma muito mais confortável.

Mas seja honesto ao ser “leiloado”. Não blefe. Eu já vi ótimos programadores que se queimaram em ambas as empresas porque descobriram o blefe. Acabou sem nenhum emprego e com a imagem arranhada em um mercado onde todo mundo se conhece.

Você trabalha no emprego perfeito, me aconselhe profissionalmente

Pessoal, eu não sou o Max Gehringer. O máximo que eu posso dar de dica é para o tipo de trabalho que eu faço. As dicas do Max são legais para casos mais genéricos mas também não precisa levá-lo à sério demais porque senão você acaba virando mais um daqueles candidatos “robôs” cheio de respostas prontas e pré-fabricadas.

Como teve mais de uma pessoa que me perguntou sobre “investir no aprendizado de Python” eu vou falar um pouco sobre esse caso específico:

Invista o seu tempo em algo que te deixa feliz. Se você gosta de programar em Python invista em Python. Se gosta de programar mas não importa a linguagem programe em várias delas.

Se você não gosta de programar? Vai fazer o que você gosta de fazer. Sai fora dessa área. Evite perder o seu tempo e o de outras pessoas que gostam de trabalhar com isso.

E tem outra coisa: usar o trabalho nessa área como meio para ganhar dinheiro para no futuro atuar em outra área menos rentável. Isso é péssimo. Atue na área “menos rentável” e faça-a se tornar rentável.

Pega o meu curriculum praquela vaga do mês passado

Um certo dia eu ofereci uma vaga em uma empresa onde trabalhava que precisava ser preenchida com urgência e recebemos curriculums para essa vaga por mais de 3 meses.

Se você vê que a oferta foi feita à mais de uma semana desiste.

Se tiver uma gota de esperança de que a vaga não foi preenchida ou tem “inside informations” de que a vaga não foi preenchida tudo bem. Mas se não for esse o caso fica a lição pra você ficar mais atento.

A Triveos é especializada no desenvolvimento de aplicações Web e utiliza Python e Django em grande parte de seus projetos. Tendo como base esse know-how no uso de Python e Django criamos o Curso de Desenvolvimento Web com Python e Django nas modalidades in-company e online.
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  • guilherme

    Faço coro em tudo que você falou, em particular para o ponto de que não se deve mandar currículos se você não serve para a vaga anunciada e para o fato de que o salário não pertence à vaga, e sim ao candidato. Em adição a isso:

    O principal: não minta. Muita gente parece achar que entrevista de emprego é um vale-tudo e que é legítimo inventar e exagerar. Não faça phishing com possíveis empregadores, você vai se queimar. E feio.

    Em particular, eu não gosto das “listas de compras” do tipo “Conheço: C, C++, AJAX, XML, Java, .NET” – isso não significa nada. O que importa é o que você fez com isso.

    Igualmente, evite as gradações “básico/intermediário/avançado”. O que significa “inglês básico”? Saber o verbo “to be”? Ler um texto técnico básico? Qual a diferença do inglês básico para o intermediário? Se seu inglês (ou qualquer outra habilidade) não for 100%, escreva uma frase descrevendo a sua situação.

    Você vem de uma cidade pequena, onde os empregos são ruins e limitados e isso acaba refletido em um currículo fraquinho? Coloque o que você fez como hobbista. Você não precisa ter iniciado um projeto como o Apache, mas se tem algo legal em um canto obscuro do HD, isso conta pontos – pelo menos se você vai mandar currículo para uma empresa pequena e estiver se candidatando para uma vaga entry-level. Descobrir quem tem iniciativa é uma das coisas mais difíceis para quem está contratando, e demonstrar que você tem pode compensar outras deficiências que você tenha.

    Tenha certeza de que incluiu uma forma fácil de entrar em contato com você. Ninguém está com vontade de ficar deixando recados com sua tia amnésica que você só vê no Natal e na Páscoa. Verifique se seu número de celular não é aquele que você cancelou mês passado para aproveitar a última promoção pega-trouxa da outra operadora.

    Não escreva em embromol. Um parágrafo que começa com “Liderei uma equipe para trabalhar no campo da excelência de sistemas e normatizar processos segundo indicadores internos” não significa nada. Esse raramente é o caso para quem escreve currículos para vagas técnicas, mas quem pretende assumir posições de chefia e gerência às vezes gosta de escrever assim. Tem lugares que esse tipo de enrolol funciona, mas eu não gostaria de trabalhar nesses lugares. Se você é um técnico e escreve assim, não espere que as pessoas não acham que você está enrolando.

    E não coloque sua vida inteira no currículo. Tem gente que anexa RG, CPF, número da CNH, fotocópia do passaporte, cheque em branco, senha da conta bancária, etc. O que você acha que um empregador vai fazer com esses dados? Eu não quero nem saber se você é casado (mas quero saber se você estuda). Quero saber se você consegue dedicar ao trabalho aquilo que ele merece. Administradores de sistema têm que fazer escalas de plantão, ser facilmente encontráveis e trabalhar no horário em que os usuários usam os sistemas. Programadores podem trabalhar no horário que acharem melhor desde que cumpram o deadline e consigam se comunicar com o resto do grupo. Seu estilo de vida tem que ser compatível com a vaga pretendida.

  • http://blog.gustavobarbieri.com.br/ barbieri

    ACK ACK ACK!

    Quando eu vi o seu email para a lista python-br sabia que algo assim iria acontecer, eu até mandei algo pra tentar enfatizar que queremos caras bons e não qualquer um que veio de Delphi e comecou a programar em Python faz uma semana e nunca usou Linux.

    Valeu!

  • Adenilson

    Osvaldo

    Suas dicas são básicas mas preciosas, acho que o pessoal que enviou CV tem muito a ganhar seguindo os conselhos.

    Faço aqui alguns comentários adicionais:

    a) Currículum em inglês: quem trabalha com programação tem *obrigação* de pelo menos saber ler/escrever em inglês. Os melhores livros saem primeiro em inglês, assim como artigos e forums de discussão. Vale a pena investir um tempo para fazer um CV em inglês.

    b) Dados pessoais: em 90% dos casos o empregador não está interessado em saber seu RG/CPF/tipo sanguíneo/etc. Entretanto, já vi empresas que chegam a pedir este tipo de informação… e em formato .doc!!! Já cheguei a desistir de enviar CV por conta desta obrigação de ser em formato .doc (meu raciocinio foi que se a empresa é incapaz de abrir um pdf, deve ser um lugar ruim para se trabalhar).

    c) Questão salarial: este é um ponto controverso. Já participei de processo seletivo no passado para descobrir depois de quase 1 mês que a proposta de salário não me atendia (e não era negociável). Neste aspecto, acho que para economizar tempo para ambas as partes é útil perguntar (e o contratante informar) qual é o piso e o teto salarial da vaga.

    Atenciosamente

    Adenilson

  • http://www.pythonbrasil.com.br Osvaldo Santana Neto

    Oi Adenilson,

    a) Concordo com você.

    b) Neste caso a oferta está solicitando explicitamente tal informação. Mas mesmo assim eu não passaria esse tipo de dado sem uma boa justificativa já que eu não sei onde esses dados serão usados.

    c) Esse é o tipo de informação que você já tinha que ter obtido antes de sequer ter enviado seu CV. Vou te dar um exemplo: existe uma empresa norte-americana que tem um escritório aqui no Brasil. Ela é a empresa onde todo mundo sonha em trabalhar. Todo tipo de informação importante sobre cargo e salário dessa empresa é segredo de estado. Mas eu já descobri que eles não pagam tão bem. Como eu sei disso? investigação prévia.

    Investigar uma empresa previamente é o primeiro passo para a próxima fase que é a de escolher qual lugar trabalhar :)

  • Adenilson

    Osvaldo

    Talvez seja a mesma empresa norte-americana que tem também escritório em MG? Eu fiquei sabendo que as exigências são enormes e o salário que pagam é quase que de recém-formado…
    ;-)

    Adenilson

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  • Paulo Cassiano

    Excelente artigo, meus parabéns!

    Coincidência ou não, estou me interessando por aprender Python. Quem sabe no futuro eu volte a este artigo para rever esses bons conselhos?

    Um forte abraço,

  • http://evandroart.blogspot.com evx

    Tem certos termos que paracem grego pra mim,
    phito o que? nAo eh minha area, alias ainda nAo me especializei,
    mas pretendo seguir no ramo de design ou publicidade.
    Bom, acredito nAo ter cometido as gafes acima, po, tem coisa sem noCAo eim…
    Mas eh certo que estou despreparado no momento, eu to procurando oriataCAo e cheguei ate aqui
    heheh
    bom post, logo vou pesquisar sobre Python…

  • http://www.ecurriculo.net eCurrículo.net

    Gostaríamos de convidá-los para uma parceria de TROCA DE LINKS.
    Havendo interesse, favor acessar http://www.ecurriculo.net/home/parceiros_3.php

    Atenciosamente,
    Equipe eCurrículo.net
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    Para que está procurando empreso segue a dica de curriculo online:
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