Google - A História…
Postado por Osvaldo Santana
Terminei de ler o livro Google - A História do Negócio de Mídia de Maior Sucesso dos Nossos Tempos ou pra resumir: Google - A História.
Todos que me conhecem sabem que sou um grande fã dessa empresa extremamente poderosa que nasceu dentro da Internet e hoje faz parte da cultura das pessoas no dia-a-dia.
Antes do Google existir eu tinha uma técnica de pesquisa na Internet que consistia em procurar pelas informações que eu precisava no Yahoo! e depois no Altavista. Eu procurava no Yahoo! porque a qualidade dos resultados era muito grande. Mas infelizmente a manutenção desses resultados era feita quase que manualmente por funcionários da empresa e ficava praticamente impossível ter uma cobertura abrangente de toda a Internet.
Quando eu não encontrava algo bom com o Yahoo! eu passava então para o Altavista que certamente encontraria aquilo que eu procurava e muitas outras coisas e é aí que começavam os problemas: essas “muitas outras coisas” eram um ruído muito grande que ofuscava os bons resultados.
Mas eu até me virava bem dessa forma até que um amigo me disse que tinha um “sitezinho” de busca que misturava as técnicas das duas empresas: “Manutenção do conteúdo de forma automatizada”. Era só eu digitar: www.google.com.
Muitas coisas que li nesse livro eu já sabia por ter acompanhado a trajetória do Google desde muito cedo mas relembrá-las despertou aquela “nostalgia” que é inerente àqueles caras que trabalham com tecnologia.
O livro não é técnico. Ele também não cobre uma série de aspectos técnicos que fazem o Google funcionar e se limita aos chavões “… o Google, com suas centenas de milhares de computadores …” ou à dar uma leve pincelada discorrendo sobre o funcionamento do PageRank (graças ao livro descobri que o “Page” do PageRank tem relação com “Larry Page” e não com “Página”).
Uma coisa legal do livro é que ele martela bastante em cima da cultura Google de Não ser mau e mostra que uma empresa não precisa sacanear com seus clientes, fornecedores e funcionários para ser lucrativa. É uma excelente lição para os empresários que existem por aí e por lá.
Trata também dos dilemas que Larry Page e o Sergey Brin enfrentaram durante a vida do Google: os protestos contra invasão de privacidade do Gmail ou o problema de aceitar a censura chinesa ao acesso à Internet.
Mas o livro não é perfeito. O último capítulo que fala sobre os planos futuros do Google na área da biologia e genética é muito chato. Tão chato que consegue comprometer a qualidade do livro como um todo. Quando eu terminei de ler um último capítulo tão chato eu fiquei com a sensação de que o livro todo era chato.
A tradução da editora Rocco costuma ser melhor do que a desse livro. Tem uma coisa que me irrita em traduções é a não inversão do adjetivo/substantivo quando o texto é vertido para o português. Gramaticalmente é correto usar a forma “adjetivo substantivo” em português mas essa forma não é muito natural e faz com que a leitura seja menos natural.
Portanto, tradutores, prefiram sempre fazer “traduções boas” no lugar de “boas traduções”.
Para comprar: Google - A História… ou Google - Story…
Bluetooth Ponto
Postado por Osvaldo Santana
Aqui no INdT a gente tem um sistema de ponto que usa uma etiqueta RFID que fica em nossos crachás para marcar a hora que a gente chega e sai do trabalho. O problema é que esse sistema não é muito confiável e eu também vivo esquecendo de passar o meu crachá na tal maquininha e isso fez com que eu tenha o maior banco de horas negativas aqui da empresa.
Cansado dessa história eu tentei vários métodos diferentes para marcar a minha chegada e saída aqui da empresa. Usei planilha, adaptei um sisteminha feito por um colega de trabalho, anotei em um caderno… e nada. As anotações estavam sempre inconsistentes e impediam que eu fizesse a conferência do meu relatório de horas e corrigir eventuais problemas.
Mas isso mudou quando li um artigo que falava sobre um programinha que executa tarefas quando um dispositivo Bluetooth específico se aproximava do computador. Eu pensei: “Eu tenho um celular com Bluetooth e tenho como colocar um dongle Bluetooth na minha estação de trabalho da empresa. Eu posso registrar a minha chegada/saída na empresa baseado na presença do meu celular, afinal ele me acompanha quando chego ou saio do trabalho…”
Mas o programinha do artigo não funciona com Linux e minha estação de trabalho é Linux então tive que desenvolver o meu próprio script Bluetooth Ponto 0.1.
O funcionamento dele é simples: Quando executado sem nenhum parâmetro ele faz discovery dos dispositivos Bluetooth nas redondezas e registra as entradas e saídas desses dispositivos desde o último discovery. Então é só colocar ele no seu crontab ($ crontab -e) para ser executado de 5 em 5 minutos:
$ crontab -l # m h dom mon dow command */5 * * * * /path/completo/btponto.py
Esse comando irá gerar um arquivo de log para cada mês do ano dentro do diretório ~/.btponto e a partir desse arquivo a gente poderá gerar os relatórios.
Para gerar os relatórios é só criar um arquivinho de configuração com o MAC address do celular e o nome do dono:
$ cat .btponto/indt.cfg [osantana] bt = 00:0F:ED:ED:01:02 name = Osvaldo Santana Neto occupation = Researcher
e roda o btponto.py da seguinte forma:
$ btponto.py -f .btponto/indt.cfg .btponto/bluetooth-200703.log ------------------------------------------------------------------------ Username: osantana Fullname: Osvaldo Santana Neto BT Mac: 00:0F:ED:ED:01:02 Date In Out 2007-03-20 14:14:00 19:10:12 2007-03-21 09:35:12 19:20:11 2007-03-22 08:55:11
Esse programinha depende do Python BlueZ. No meu Ubuntu Edgy bastou executar: sudo apt-get install python-bluez para instalá-lo.
Para você descobrir qual o MAC address do teu celular tente:
$ hcitool scan
Scanning ...
00:0F:ED:ED:01:02 meu_celular
Ou, se o seu celular for um S60 da Nokia digite: *#2820# no teclado numérico.
Bossa Conference, quando é a próxima?
Postado por Osvaldo Santana
Acabou? Já? Que pena… ![]()
Se aqui no Brasil a gente tivesse mais eventos nos moldes do Bossa Conference eu tenho certeza que em pouco tempo seríamos um grande produtor de Software Livre e não apenas meros usuários.
Depois de ter participado e ter assistido algumas das mais fantásticas palestras que pude ver em minha caminhada pelos corredores do Open Source eu vou enumerar o que funcionou, o que não funcionou e o que precisa melhorar para a próxima edição do evento.
Funcionou muito bem o foco nos espaços para bate-papo entre os participantes no lugar de usar apenas aquele modelo palestra-após-palestra. Os intervalos entre algumas palestras era maior que o normal e a organização do evento disponibilizou festas de confraternizações para o final de cada dia. Nesses encontros mais informais desenvolvedores, líderes de projeto e aprendizes-desenvolvedores puderam falar sobre trabalho e diversão.
É fácil notar que desses encontros muitos projetos novos surgirão, muitas idéias legais serão implementadas e a qualidade dos softwares de código aberto vão melhorar consideravelmente.
O evento também focou na parte técnica do desenvolvimento de software, ou seja, não haviam (ou poucas eram as) palestras de vendedores e políticos. Tivemos só uma palestra que trata de Inclusão Digital e assemelhados e mesmo essa palestra falou sobre o projeto OLPC que apresenta uma série de desafios técnicos interessantes (além do aspecto social).
Também não tivemos palestras de sysadmins ou de DBAs. Nada contra palestras técnicas sobre esses assuntos, mas o evento preferiu dar uma atenção aos desenvolvedores.
A organização também pagou as despesas dos palestrantes. Isso permite que bons palestrantes participem do evento mesmo que eles não tenham condições de bancar uma viagem para Porto de Galinhas.
O que não funcionou durante todo o evento foi a rede Wi-Fi. Esse tipo de falha até seria perdoável se a conferência fosse um congresso médico mas num evento de tecnologia e de software livre não pode acontecer. Transparece amadorismo tupiniquim sob o olhar dos estrangeiros que estão acostumados a ficar 100% do tempo conectados. Usar chave WEP para fechar esse tipo de rede não é necessária. A idéia é fechar só o que não for permitido e não o inverso.
Houve um certo descuido do Hotel e/ou da organização do evento com relação à alimentação de alguns palestrantes. Alguns deles, que eram vegetarianos, tiveram uma grande dificuldade de encontrar comida durante as festas de confraternização que ocorriam durante a noite.
Entre as coisas que precisam melhorar estão o preço que inibiu a participação de algumas pessoas interessadas em participar do evento. O pessoal tem que ter em mente o fato de que a maior parte dos participantes da comunidade de software livre é estudante ou não é remunerado por seu trabalho. Principalmente no Brasil.
Alguns participantes reclamaram da falta de informação sobre o que acontecia no evento. Eu não senti isso. Mas eu participei de algumas discussões com a organização do evento antes dele acontecer e também sou brasileiro e podia esclarecer as minhas dúvidas com qualquer um que falasse português ![]()
Palestras em inglês sem tradução simultânea. É verdade que se alguém participa desse tipo de evento e não sabe inglês ele precisa resolver esse problema primeiro e só depois pensar em ajudar em algum projeto Open Source mas alguns palestrantes não têm o inglês como seu idioma principal e isso dificultou o entendimento de algumas apresentações.
Nessa primeira edição a escolha dos palestrantes foi propositadamente fechada para que os organizadores conseguissem definir exatamente quais as pretensões do evento mas para as próximas edições seria legal abrir parcialmente ou totalmente a formação da grade.
Sobre o que eu vi no evento:
Eu vi muito Python. Python for Maemo (filhote meu :)), Python for S60 (muito massa! :)), PyPy (finalmente entendi o projeto), PyGTK+ (a gente usa no Python for Maemo) e LLVM (relacionado com PyPy).
Também vi muito sobre Maemo: Python for Maemo (filhote meu :)), Mamona, Hildon, LLVM (relacionado com ARM), Plataforma DaVinci (Texas Instruments), …
E é isso.








