Invasão bárbara. Como lidar?

Postado por Osvaldo Santana

Desde muito tempo tenho participado de fórums e listas de discussões. A grande maioria delas trata de assuntos relacionados à informática mas também de listas com assuntos mais ‘genéricos’.

Já a algum tempo, com a popularização do acesso à Internet, venho presenciando uma invasão bárbara nos meios de comunicação onde antes costumava imperar as regras de etiqueta (tratada pelos internéticos ‘da antiga’ por netiqueta).

Quando algum desses bárbaros são inquiridos a se portarem de maneira adequada eles reagem nos tachando de mal-educados, reacionários e puristas da Internet. Eles nos adjetivam dessa maneira porque eles são os mal-educados e porque geralmente acham que qualquer novidade tecnológica que é boa pra eles necessariamente tem que ser boa para todos os outros participantes das listas.

Alguns casos que saltam mais aos olhos serão enumerados nesse artigo.

Letra maiúscula serve pra GRITAR!

Aos bárbaros que não conhecem nenhuma regra de netiqueta ou que não sabem que é possível desligar aquela luzinha do teclado onde está escrito “CAPS LOCK” preciso dizer que, por convenção, escrever em letras maiúsculas (caixa-alta) na Internet é exatamente o mesmo que gritar no ouvido do destinatário da mensagem.

É muito comum encontrarmos e-mails inteiros escritos em letras maiúsculas. Acho que esse tipo de e-mails só seria válido em listas de discussão que falem sobre letras de música de Trash Metal.

Quando expliquei isso para um dos bárbaros apontando para ele uma RFC (Request for Comments) que define regras de Netiqueta dizendo que os protocolos da Internet são especificados através desse tipo de documento o bárbaro me chamou de reacionário e afirmou que tal RFC ‘havia sido escrita a mais de dez anos atrás’. É quase como se eu falasse que quem navega na Internet é reacionário porque a RFC que define o protocolo HTTP/1.0 é da mesma época.

Vamos falar em português?

Vamos! Mas só em listas, fórums, comunidades do orkut, etc onde o idioma padrão é o português. O brasileiro fica todo orgulhoso da ‘invasão brasileira ao orkut’ e adora mostrar mais essa ‘conquista da amarelinha’ escrevendo em português até em comunidades de “Practice your English”. Parabéns! Nós deveríamos nos sentir orgulhosos por sermos tão mal-comportados bárbaros.

Já não bastasse os bárbaros escreverem em português nesses fórums, o português usado é de um nível tão baixo que chega a doer os olhos de quem lê. Não precisamos ser o ‘professor Pasquale’. Mas quem consegue ler esse tipo de coisa?

‘OI MEU NOME E OSVALDO E ESTOU COMESSANDO AGORA A PROGRAMA EM COMPUTADORES E ESTOU AXANDO TUDO MUUUUUUITO LEGAL E UM AMIGO MEU ME DISSE QUE PROGRAMAR EM PYTHON E SUPERLEGAL ENTAO REZOLVI ESPERIMENTA NE? RSRSRSRSRSRSRSRS E TIPOWWWW… GOSTARIA DE SABER SE SERIA POCIVEL VCS ME AJUDA A FAZER UM PROGRAMA DE CONTROLE DE UZINA NUCLEAR?????????????????????’

Adoraria que o exemplo acima fosse uma extrapolação do que tenho visto. Mas posso afirmar com absoluta segurança que já vi coisas muito piores. Como poderíamos fazer para explicar para os bárbaros que e-mail não é chat e que até mesmo em chat escrever de maneira totalmente ’sem-nossaum’ não é uma coisa legal?

A minha irmã é uma das que escreve desse jeito. Eu já disse pra ela que pra conversar comigo tem que escrever certo. Ela estudou, tem um grau de instrução bom, sempre esteve rodeada de livros e leu vários deles. Quando começou a escrever ‘certo’ comigo fiquei impressionado com a quantidade de erros ortográficos no que ela escrevia. Esse tipo de linguajar ‘internético’ deseduca as pessoas.

Erros de ortografia, desconhecimento total de uso de pontuação (faltam vírgulas e sobram interrogações e exclamações), erros gramaticais, vocabulário paupérrimo, gírias ‘internéticas’, falta de parágrafos e uma total ausência de ordem na construção do texto já estão virando uma marca registrada da Internet por causa dessa invasão bárbara. Isso é bonito? É algo que deveria dar orgulho ao brasileiro? Do jeito que a coisa anda aqui no Brasil a gente vai comemorar o ‘exacampeonato’(sic) brasileiro no futebol.

Informação boa é melhor que visual bom

Tá, quase toda a totalidade dos clientes de e-mail hoje em dia sabem abrir um e-mail em formato HTML (aqueles todos coloridinhos com os smileys gráficos e onde as respostas ficam escritas em azul) mas isso realmente é necessário? E quem não usa esse tipo de cliente de e-mail? E quem tem necessidades especiais (deficiência visual) e precisa usar um cliente especial de e-mail? E quem ainda acessa a Internet usando Modem e uma linha discada?

Um e-mail em formato HTML é consideravelmente maior do que um e-mail convencional e esse tamanho maior não adiciona absolutamente nada de informação relevante à discussão. Então estamos desperdiçando recursos computacionais por nada. E os bárbaros, com esse tipo de atitude, ainda desperdiçam recursos computacionais dos destinatários de suas mensagens.

Quando recriminei um bárbaro por usar esse tipo de e-mail ele me chamou de ‘vovô da Internet’ como se isso fosse alguma forma de ofensa e não um elogio à minha experiência superior à dele.

Ouvir é melhor do que falar

Quando escrevemos uma mensagem em um fórum escrevemos ela uma única vez e muitas pessoas irão lê-la, correto? Na Internet a gente lê e ouve muito mais do que escreve e fala. Por isso é importante saber ouvir.

Quando você instrui uma pessoa que sabe ouvir ela te agradece por tê-la ajudado a se tornar uma pessoa melhor. Quando você instrui um ostrogodo ele se considera afrontado e reage mal.

Concluindo

Além desses ítems que descrevi aqui ainda existem outros. Resolvi me limitar aos que ocorrem com maior freqüencia para poupá-los de cenas mais fortes :)
Estou tratando desse assunto porque na lista PythonBrasil, onde sou moderador, geralmente somos tratados como rudes, mal-educados e coisas do tipo quando apontamos alguma coisa errada no comportamento dos participantes da lista.

A lista é uma ferramenta importante para todos que estão lá. Pedimos ajuda, trocamos experiências, aprendemos e ensinamos. Os bárbaros não invadirão o nosso território para nos matar e pilhar, e para que isso não ocorra expulsamos eles da forma mais polida que conhecemos: fazendo eles nos ouvirem. Ao aceitar a ajuda conseguimos ver que ele não é um bárbaro, é apenas alguém inexperiente.

Agora deixo a pergunta em aberto para que vocês me ajudem: Existe alguma maneira mais eficiente ou mais adequada para lidar com esse tipo de gente?


8 Responses to “Invasão bárbara. Como lidar?”

  1. Luciano Pacheco Says:

    Pois é Osvaldo, também percebo este comportamento.

    Mas temos que lembrar de outros detalhes, que servem para espantar esse desânimo.

    Estou me baseando na lista python-brasil.

    1. A maioria da lista sempre respeita a netiqueta e desenvolvem discussões de alto nível
    2. Nem todos os bárbaros reagem mal à uma explanação deste compotamento

    Esses foram os dois pontos que lembrei, no momento. :)
    Sobre a lista e a moderação:

    Eu nunca percebi este tipo de reclamação, de sermos rudes ou mal educados, muito pelo contrário, a maioria das pessoas têm elogiado o nível da lista.

    A sua moderação sempre achei na medida. No momento certo e com educação, sua atitude de separar o Osvaldo moderador do Osvaldo participante também acho interessante.
    Em mais de 1 ano de lista nunca vi uma moderação sua que eu discordasse e não teve nenhum momento que achei que você se omitiu.

    Por fim respondendo a sua pergunta, acho que a forma de combatermos isso é basicamente como já fazemos.

    Darmos o exemplo e tentar explicar aos que não se alinham a netiqueta. Sempre com educação e respeito.

    Aproveito para deixar aqui o registro que o Senra tem uma didática e uma forma de adivertir inteligente, respeitosa e ao meu ver muito eficiente, neste tipo de situação.

    Essa será uma tarefa constante.

  2. Gustavo Sverzut Barbieri Says:

    Pois é Osvaldo, infelizmente eu tenho que concordar com tudo o que você escreveu. Odeio ter que ler os emails com letras maiúsculas e totalmente abreviado, além de tudo mal escritos.

    Também não gosto da pressa ou jeito como alguns se referem a lista como se fosse um suporte da Borland, querendo a resposta que mais remete ao Delphi :-)
    Mas a vida continua, o problema é que minha paciência com essa gente nem sempre é grande.

  3. Rodrigo Cacilhas Says:

    É Osvaldo, infelizmente é verdade…

    E a forma de agir é essa aí.

    Mas não é só na Internet que vemos esse tipo de comportamento…

    Já fui professor de cursinho (não me orgulho disso!) e adolescentes e pré-adolescentes simplesmente zoneavam minhas aulas porque, segundo eles, eu sou muito «velho» pra entender de Informática. =O

    Cara, quero ver essa gente se virar sozinha, sem os «vovôs» aqui. =P

    []’s

  4. Anonymous Says:

    Concordo com o Osvaldo em gênero, número e grau!

    Abração
    Senra

  5. Luciano Pacheco Says:

    Ao ler os outros comentários achei que minha opnião não ficou tão clara.

    Eu também concordo com o Osvaldo, e principalmente com o Rodrigo Cacilhas, que lembrou que acontece o mesmo em outras situações.

    Até mais,

  6. Osvaldo Santana Neto Says:

    “”"
    jentz aproveitamdo ai eça copa do mumdo qe fosse naom perde um lansse
    na globo futebol tiop minha amica lila fes nova verçao bamdeira
    brazil asçei muinto maz bonita?
    “”"

    Enviada por um amigo. Sem edição.

  7. Marco Carvalho Says:

    O pioe é que essas monstruosidades estão atingindo outros meios de comunicação…

    Ano passado, enquanto eu passava as férias na casa de minha mãe, quase tive um infarto quando vi em um canal de TV a cabo as legendas do filme em “internetês” (ou seja lá como chamam essa coisa), cheias de “naum”, “c q sabe”, “kd akela koisa”.

    É o fim da picada…

  8. Marco Carvalho Says:

    Ops, falha nossa…
    Onde está “pioe” leia-se “pior”.

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